Eclipse – John Banville

Eclipse – John Banville

Do início ao fim, Eclipse é marcado pela imprecisão. Nas primeiras páginas do romance, as cenas difusas que se interpõem num ritmo acelerado desafiam o leitor a determinar se pertencem ou não à série de delírios do protagonista. As respostas não demoram a surgir, mas podem se revelar contraintuitivas: o que parecia sonho é realidade, e vice-versa. “A linha divisória entre ilusão e seja lá o que for o seu oposto para mim ficou apagada a ponto de desaparecer. Não estou dormindo nem acordado, mas em algum confuso estado intermediário entre os dois”, escreve o narrador.

Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

Ifemelu, protagonista de Americanah, recorre a um salão em Trenton para trançar o cabelo. Num ambiente pequeno onde faz um calor infernal, tenta, sem sucesso, submergir num romance. Outra cliente do lugar puxa assunto, e Ifemelu se vê obrigada a responder a algumas perguntas sobre o livro que tem nas mãos. Depois de uma troca de palavras não muito cordial, Ifemelu conclui que a interlocutora acredita (ingenuamente) “ser milagrosamente neutra na forma como [lê] os livros, enquanto os outros [são] emocionais”.

O círculo – Dave Eggers

O círculo – Dave Eggers

Peço desculpas antecipadas por iniciar uma resenha citando uma expressão tão extrema (e indevidamente valorizada) da cultura popular. Goste ou não, você deve conhecer aquela piada em que o garotinho recebe de presente do pai uma caixa forrada com cocô de cavalo. Qualquer outra criança ficaria chocada. Seu próprio irmão ganhou uma bicicleta e continua chorando em um canto da sala, preocupado com a possibilidade de cair e se machucar. Mas não ele. O protagonista da piada, você sabe, é um otimista incorrigível.