O pintassilgo – Donna Tartt

O pintassilgo – Donna Tartt

Livros que geraram reações extremadas, positivas e negativas, uma enorme quantidade delas, que repercutiram em todos os cantos e motivaram discursos que parecem ter alcançado vários tons, enfim, livros cujo pendor para a polêmica parece nascer junto com suas frases raramente são fáceis de avaliar. No caso d’O pintassilgo, graças a algumas particularidades que você vê a seguir, a tarefa é ainda mais delicada. Procuro fugir do burburinho, mas não a ponto de ser incapaz de ouvir uma ou duas coisas do que é dito no centro da agitação.

Os luminares – Eleanor Catton

Os luminares – Eleanor Catton

Em 2013, o anúncio do vencedor do Man Booker Prize incluiu a notícia da quebra de dois paradigmas importantes. Aos 28 anos, a neozelandesa Eleanor Catton se tornou a autora mais jovem a conquistar o prêmio. Os luminares, seu segundo livro, é o romance mais longo já contemplado — a edição brasileira, publicada pela Biblioteca Azul com tradução de Fábio Bonillo, soma quase 900 páginas. Ironicamente, os mesmos números que despertam curiosidade podem instilar certa desconfiança — imerecida, já que as deduções que optam por reforçar estereótipos não encontram amparo na realidade. A escrita de Catton é mais madura do que sua idade pode sugerir. A extensão da história não a torna maçante. 

Dez de dezembro – George Saunders

Dez de dezembro – George Saunders

Em comum, os protagonistas dos contos incluídos em Dez de dezembro têm a imaginação prodigiosa. Vários deles compartilham a capacidade de visualizar a si mesmos em circunstâncias especiais — o que requer, entre outras coisas, uma parcela de inquietação, um instante de ócio, vontade de exercitar a criatividade e uma perigosa tendência ao devaneio. Num instante, podem idealizar admiradores (uma adolescente), inventar um diálogo com o pai severo (um garoto) ou fantasiar, sem razão aparente, com uma casa mal-assombrada cravada num milharal (uma mulher).

Sandiliche

Sandiliche

Sandiliche é um livro que eu gostaria de ter lido quando era criança. Digo isso porque ele segue uma linha que eu mais ou menos idolatrava: ilustrações extraordinárias, alguma melancolia, uma narrativa cujas entrelinhas abrem espaço para um silêncio pensativo. Dizer que eu queria ter lido Sandiliche na infância é um elogio e tanto, e não é a mesma coisa que dizer que agora a experiência é descartável. Pelo contrário.