Um jogo filosófico sobre percepção (Ou: Quem tem medo de Siri Hustvedt?)

Um jogo filosófico sobre percepção (Ou: Quem tem medo de Siri Hustvedt?)

 

Dirigido por Tim Burton, o longa Big Eyes (2014) conta a história real de Margaret Keane (Amy Adams), uma artista que permitiu que o segundo marido, Walter Keane (Christoph Waltz), recebesse o crédito por seu trabalho como pintora. Margaret, que retratava crianças com enormes olhos, permaneceu desconhecida até o momento em que Walter, apresentado como um sujeito ambicioso e manipulador, resolveu expor seus quadros em uma boate. Ali, sem que Margaret soubesse, ele assumiu a autoria das obras. Quando, pouco depois, ela descobriu a farsa, não pôde ou não quis contar a verdade. Os Keane logo expandiram o negócio, imprimindo pôsteres e cartões que mostravam meninos e meninas com cara de espanto — todos criados por ela e atribuídos a ele. Ficaram ricos. Ao justificar o êxito, Walter ressaltava a invisibilidade da arte produzida por mulheres. Se não fosse dele o rosto por trás dos quadros, dizia, as coisas seriam diferentes.

Dois livros sobre a cegueira

Dois livros sobre a cegueira

 

Em um curto espaço de tempo, dois novos livros sobre a cegueira foram lançados no Brasil. Em Sangue no olho, escrito pela chilena Lina Meruane, a deficiência visual se sobrepõe a um relacionamento conflituoso. Em Turismo para cegos, primeiro romance da cearense Tércia Montenegro, um relacionamento conflituoso se sobrepõe à deficiência visual.

Da crítica [9]

Da crítica [9]

 

Leitores (Ou:  Ninguém aqui é idiota)

No mesmo artigo em que detona o resenhista, Virginia Woolf encontra um jeito de voltar sua metralhadora para o público — aquele a quem ela esperava vender seus livros. Escreve Virginia (grifo meu): “Acontece que o público, embora tolo, não é assim tão burro para investir seus trocados nos conselhos de um resenhista que escreve em tais condições”. (Ela se refere à impossibilidade de avaliar um grande número de títulos num curto espaço de tempo.)

Da crítica [8]

Da crítica [8]

 

Editores

Questionado a respeito da necessidade de reinvenção da crítica, Marechal Costa e Silva surge com um gancho oportuno: “No velho Ideias [Ideias&Livros, suplemento literário do extinto Jornal do Brasil], havia uma seção chamada ‘Lá Fora’, que trazia críticas de livros recém-lançados fora do país. Conheço pelo menos uns cinco mexicanos e uns quatro argentinos que mereceriam hoje figurar em um espaço como esse, se ele existisse. Que tal se os cadernos de literatura pautassem as editoras, e não só o contrário?”.