Da crítica [9]

Da crítica [9]

 

Leitores (Ou:  Ninguém aqui é idiota)

No mesmo artigo em que detona o resenhista, Virginia Woolf encontra um jeito de voltar sua metralhadora para o público — aquele a quem ela esperava vender seus livros. Escreve Virginia (grifo meu): “Acontece que o público, embora tolo, não é assim tão burro para investir seus trocados nos conselhos de um resenhista que escreve em tais condições”. (Ela se refere à impossibilidade de avaliar um grande número de títulos num curto espaço de tempo.)

Da crítica [8]

Da crítica [8]

 

Editores

Questionado a respeito da necessidade de reinvenção da crítica, Marechal Costa e Silva surge com um gancho oportuno: “No velho Ideias [Ideias&Livros, suplemento literário do extinto Jornal do Brasil], havia uma seção chamada ‘Lá Fora’, que trazia críticas de livros recém-lançados fora do país. Conheço pelo menos uns cinco mexicanos e uns quatro argentinos que mereceriam hoje figurar em um espaço como esse, se ele existisse. Que tal se os cadernos de literatura pautassem as editoras, e não só o contrário?”.

Da crítica [7]

Da crítica [7]

 

Canalha ou quase 

Numa visão simplista — que, sendo simplista, não abre mão do maniqueísmo —, o crítico literário está destinado a desempenhar o papel do vilão. Isso se deve (o que é ruim) à crescente distância que se interpõe entre aquele que avalia e discute certos livros e o leitor médio. A literatura mais consumida, é claro, é pautada pela lógica do mercado, algo que o crítico (o que não é necessariamente ruim) costuma desconsiderar. Certa linguagem, de fácil compreensão e voltada para o entretenimento, não resistiria a uma investida rigorosa — que é, com efeito, a função do crítico. Pouco importa, aliás, a modalidade defendida e praticada por ele.

Da crítica [5]

Da crítica [5]

 

Plágio

Listo três situações recentes. (a) Há algum tempo, um blog publicou uma resenha que escrevi. Do primeiro ao último parágrafo, nenhum detalhe havia sido alterado. Logo encontrei outra cópia, de outra resenha. Depois, três. Quatro. Parecia uma espécie de franquia não autorizada do Livros abertos. Pedi que o conteúdo fosse excluído. Foi. E só. Se existe uma explicação, não sei qual é. O blog continua no ar. Ainda reproduz, sem créditos e nem sempre modificados, trechos de outras resenhas e de artigos acadêmicos. (b) Dias atrás, um blog veiculou um texto que conta a vida de Ernest Hemingway. O texto, excelente, foi escrito há anos por Moacyr Scliar especialmente para a Folha de S. Paulo. Não há menção a Scliar ou ao jornal. (c) Arthur Tertuliano, colaborador do site Posfácio, escreveu um texto sobre novos autores e seus livros de contos. Dias depois, uma matéria muito semelhante apareceu em um jornal do Espírito Santo. Pressionado, o autor da matéria acabou admitindo a “inspiração”.