Livros abertos

Ave Roth!

As comemorações mais intensas devem ocorrer em 2013 — quando, em 19 de março, Philip Roth completará 80 anos. Pelo marco que representa um número redondo e admiravelmente alto, entende-se que será o próximo, e não este, o ano de Roth. Ainda assim, não gostaria que o dia passasse em em branco: estou na torcida, como já estive em ocasiões anteriores, para que em 2012 o Nobel de Literatura seja entregue ao norte-americano. Como sabe quem já leu qualquer um de seus livros, Roth merece, como poucos, a honra máxima da literatura. Assim, não se sabe o que os membros da Academia Sueca têm pensado ao ignorar sistematicamente um dos favoritos (do público e da crítica) ao prêmio. Embora muitos tenham ponderado a escolha e visto nela algo de justificável, considerei incompreensível a vitória de Tomas Tranströmer em outubro passado — mais ainda quando tive acesso a uma pequena mostra de sua produção. Será a carga sexual de suas obras que tem mantido o prêmio longe de Roth? Muito já foi especulado. Embora a maioria esteja desconcertada com a omissão, ninguém sabe a sua causa. Sabemos, enfim, que houve muitas injustiças na história do Nobel de Literatura. Mas esperamos que Roth não seja uma delas.

[Leiam aqui uma carta aberta à Academia Sueca: "Can we please stop the nonsense and give Philip Roth a Nobel for Literature before he dies?".]

2013 pode muito bem, portanto, ser o ano em que Roth completa suas 80 primaveras. Mas que seja este que corre o ano em que o Nobel irá para suas mãos.

Esta é minha homenagem, e esta é parte de minha torcida. 

* * *

Muitos dos livros de Roth foram editados no Brasil. A Companhia das Letras fez um ótimo trabalho com cada uma das obras, escolhendo tradutores competentes e dando ao autor e a seus livros o respeito que merecem. Os anos informados não se referem às edições brasileiras: correspondem à publicação da obra originalmente. Narradores e protagonistas podem ser vistos mais abaixo.

1. O avesso da vida (título original: Counterlife). De 1986. 376 páginas. Tradução de Beth Vieira. 2.  Complô contra a América (título original: The plot against America). De 2004. 488 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 3. O animal agonizante (título original: The dying animal). De 2001. 128 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 4. O complexo de Portnoy (título original: Portnoy’s Complaint). De 1969. 264 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 5. Adeus, Columbus (título original: Goodbye, Columbus). De 1959. 288 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 6.  Casei com um comunista (título original: I married a communist). De 1998. 424 páginas. Tradução de Rubens Figueiredo. 7.  A marca humana (título original: The human stain). De 2000. 456 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 8. Homem comum (título original: Everyman). De 2006. 136 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 9. Fantasma sai de cena (título original: Exit ghost). De 2007. 288 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 10.  Nêmesis (título original: Nemesis). De 2010. 200 páginas. Tradução de Jorio Dauster. 11. Indignação (título original: Indignation). De 2008.  176 páginas. Tradução de Jorio Dauster. 12. A humilhação (título original: The humbling). De 2009. 104 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto. 13. O teatro de Sabbath (título original: Sabbath’s Theater). De 1995. 504 páginas. Tradução de Rubens Figueiredo. 14. Zuckerman acorrentado. Inclui as novelas O escritor fantasma, Zuckerman libertado e A lição de anatomia. A orgia de Praga serve como prefácio. Títulos originais: The ghost writer, Zuckerman unbound, The anatomy lesson e The Prague orgy, publicados respectivamente em 1979, 1981, 1983 e 1985. A tradução é de Alexandre Rubner. O livro possui 552 páginas. 15. Pastoral americana (título original: American pastoral). De 1997. 480 páginas. Tradução de Angelo Vieira. 16.  Operação Shylock (título original: Operation Shylock). De 1993. 360 páginas. Tradução de Marcos Santarrita..

.

As capas das obras esgotadas:

(When she was good)

(My life as a man)

(The Professor of Desire)

(The Breast)

(Deception)

(Letting Go)

(Este livro chama-se, no original, The gost writer, novela que foi incluída na edição da Companhia das Letras sob o título de Zuckerman acorrentado.)

* * *

.A não ficção publicada de Roth não é extensa. Pela Companhia das Letras, são dois livros:

1. Patrimônio: Uma história verídica (título original: Patrimony: a true history). 192 páginas. Tradução de Jorio Dauster. 2.  Entre nós: um escritor e seus colegas falam de trabalho (título original: Shop talk). 176 páginas. Tradução de Paulo Henriques Britto.

* * *

]Philip Roth repete personagens: resgata vidas, mistérios e acontecimentos de certas obras e os transpõe para outras. Assim, Nathan Zuckerman, um alter ego de Philip que também é escritor, é seu personagem e narrador favorito. Há mais detalhes que costumam se manter: o cenário de Newark, por exemplo, é usado à exaustão como palco para as suas criações. Roth o utiliza de forma tão incessante por um motivo simples: cresceu em Newark, brincando na rua com seus amigos e praticando esportes. Não à toa, a cidade desfruta da fama obtida pelo autor: há circuitos turísticos organizados apenas em função da vida e obra de Philip Roth.

.

* * *

As melhores entrevistas:

Em ocasião do Man Booker International Prize 2011: por Benjamin Taylor. Em vídeo, em inglês / Transcrita em inglês – Outubro de 2012, pela Esquire. Em inglês. – Dezembro de 2005, The Guardian. Em inglês. – CBS, outubro de 2010. Em inglês. – El País, abril de 2011. Em espanhol. – Philip Roth, the Art of Fiction No. 84. Paris Review. Em inglês. – Los Angeles Times, novembro de 2008. Em inglês. –  The Telegraph, maio de 2011. Em inglês. – The Wall Stree Journal, Outubro de 2009. Em inglês.

* * *.

Os prêmios de Roth, em ordem: 

MAZEL TOV, Roth! . . .

25 Thoughts on “Ave Roth!

  1. Adriana on 18 março, 2012 at 10:42 PM said:

    Belo trabalho, Camila!

    Parabéns!

    Na torcida por Roth!

  2. Quando justamente quero ler Roth e me sinto confusa por onde começar aparece uma postagem incrível como essa! Obrigada!

    • camilakehl on 19 março, 2012 at 8:32 PM said:

      Oi, Lua! Que bom que gostou do post! :)
      Como eu disse para a Flávia, acho que ‘A marca humana’ é um excelente ponto de partida.
      Já insere o leitor nos dilemas do Roth e o familiariza com o narrador mais presente na obra, o Nathan Zuckerman. :)

  3. Simone on 19 março, 2012 at 7:39 AM said:

    Um post imperdível para os fãs do Roth, ou para quem quer aprender tudo sobre a vasta obra do autor. Excelente trabalho, Camila, obrigada!

  4. Mais uma vez, PARABÉNS!

  5. Guilherme Soares on 19 março, 2012 at 9:18 AM said:

    Quem ainda não conhece Roth não sabe o que está perdendo. Só que agora não tem mais desculpas, né, Camila? Grande sacada este post, parabéns!

  6. Flávia Cardoso on 19 março, 2012 at 9:48 AM said:

    Muito bom! Me sinto como a Lua descreveu…. quando penso em começar a ler Roth aparece um post legal como o seu. Agora é só escolher por onde começar! Obrigada!

    • camilakehl on 19 março, 2012 at 8:30 PM said:

      Oi, Flávia! Que bom que curtiu o post. :)
      Olha, eu sugeriria ‘A marca humana’ como um bom início. Ela já coloca o leitor por dentro de alguns temas correntes do Roth, e o Nathan Zuckerman é o narrador (embora o protagonista seja outro, o Coleman Silk). Enfim, só uma sugestão!

  7. Rejane on 19 março, 2012 at 12:50 PM said:

    Obrigada pelo excelente post, adoro o Roth e descobri que ainda tenho muita coisa dele por ler.
    É verdadeiramente impressionante a lista dos “humildes” prêmios concedidos ao autor.

  8. Que post animal, Camila!!
    Adorei!
    Nunca li nada do Roth, mas agora, fiquei na pilha hahaha

    Beijos e parabéns pelo post, mais uma vez!

  9. silvio ferraz on 19 março, 2012 at 7:36 PM said:

    Formidável teu trabalho, Camila. Pode sair de mãos dadas com o nosso Roth. Estou na torcida do Nobel.
    Abraços,
    silvio

  10. Pingback: Links e Notícias da Semana #81

  11. Adorei esse blog! Parabéns pelos ótimos textos! Já vou associar ao meu humilde blog, pra sempre acompanhar as novas postagens. Abraço!

  12. Rogério Moraes on 20 abril, 2012 at 4:36 PM said:

    Eccelente trabalho. No momento estou me dedicando a ler os livros do Roth que faltam (e reler os que já havia lido). Não sabia que existia uma tradução de O Seio. No entanto, há nos sebos algumas edições que escaparam na sua lista. Letting Go saiu como Círculos da Angústia, pela Editora Expressão e Cultura, com tradução de Elza Martins. When She Was Good saiu pela mesma editora, como As Melhores Intenções, tradução de César Tozzi. Deception foi publicado pela editora Siciliano, como Mentiras, tradução do Sérgio Flaksman. E a tradução de Pastoral Americana é do Rubens Figueiredo, e não do Ângelo Venosa. E como curiosidade, a entrevista dele para a Paris Review que você citou, saiu na coletânea Os Escritores, 2: As Históricas Entrevistas da Paris Review, publicada pela Cia das Letras em 1989. A entrevista dele é a última, concedida após o término de Lição de Anatomia, com direito, na edição, a uma página com a prova tipográfica do mesmo romance. Mais uma vez, parabéns pela excelente compilação. Agora é torcer para que a Cia das Letras publique o restante da obra dele.

    • camilakehl on 4 maio, 2012 at 5:55 PM said:

      Rogério, mil obrigadas! Consegui os dois livros, e não sabia da existência deles no Brasil. :) Em breve altero o post com as tuas considerações. Mais uma vez, obrigada.

      • Rogério Moraes on 10 maio, 2012 at 11:05 PM said:

        De nada, adorei a sua compilação. Você conseguiu edições boas? As minhas são bem velhas, mas não me desfaço delas. Esqueci de citar o excelente perfil que o David Remnick escreveu sobre o Roth, que integra o Dentro da Floresta, da Companhia das Letras. Abraço.

  13. Sérgio Farias Filho on 9 junho, 2012 at 12:09 AM said:

    Grande post, minhas congratulações a autora. Roth é meu escritor vivo favorito (que me desculpem os não menos geniais Cormac McCarthy e Coetzee), mas infelizmente não li muitos livros de sua obra (apenas quatro romances e alguns contos). Dos que li, meu favorito é sem dúvida Pastoral Americana. Dos mais recentes, destacaria Homem Comum. O próximo na minha lista será O Teatro de Sabbath, por muita gente considerado seu melhor romance.

    Abraço, Sérgio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Post Navigation